Moral Credit Card / Cartão de Credito Moral

Moral Credit Card / Clique Aqui para Português

There are many strange places around the world, but none as strange as this one. In the distant magical kingdom of AIPOTU all transactions were made with the moral credit card. Like all strong social habits, no one really knew how it started.  But the fact is that the moral credit card registered the moral value of each individual, which was then used to make purchases, including everything a person needed or wanted to buy. This includes airline tickets, briefs and panties, meals, houses to live in, shopping, supermarket, blankets, tambourines, bread, butter, and others.

Each card showed in letters and colors the status of its owner. Important: the higher the status, the less the cardholder bragged about it. Of course, because it would be a moral contradiction to display any hint of arrogance about their moral status.

In AIPOTU there are politicians, military, priests, industrialists, engineers, bankers, shopkeepers, doctors, lawyers, architects, nurses and all professions present in all current societies. As always, no one understood how the moral credit card technology worked, but the important thing is that the card reflected the moral fiber of his owner.

Credits and debits changed with every little gesture of love, hate, contempt, pity, anger, jealousy, cheating, support, understanding, help, lie, or solidarity shown towards others. Individual accounts of moral reserves altered in an extremely dynamic way.  I know what you are thinking: smart people would increase their score by pretending to be nice, right?  Wrong. The card was able to detect the slightest hypocrisy.  The cost of attempting moral fraud became too expensive and was very rarely practiced, usually by tourists.

It is important to say that the moral credit card has nothing to do with morality, conservatism, square attitude, religion, traditionalism, but simply with pure respect for others and for nature.

But how did the card know? Well, any 5-year-old kid knows what is morally right and what is morally wrong.  Surely the wisdom of an entire civilization had no problem in separating credits from debits.

The cards were issued by the Ministry of Moral Compass. Contrary to what many people may think, the Minister was not the person with the most credits in the kingdom. In fact, they were all very discreet with respect to their balances, which was strictly personal, confidential and non-transferable.

The moral credit system had a fixed price structure which considered not only the cost of raw materials and labour, but also its moral cost. For example, before being banned, fur coats were absurdly expensive and often turned the buyer immediately into a poor inhabitant with a low moral credit.  The same was true with buyers who just wanted a product because of brand, vanity or to cause envy in others. On the other hand, some purchases generated not only debits but also credits, such as purchasing books, poetry and music.

Honest work generated credits, of course. There is nothing morally more rewarding than honest work. The only difference – by the way a very important difference – was the existence of proportionality between income and the social impact of each job. That is, those who made a positive difference in the lives of other people earned more. Teachers, drivers, nurses, social workers were tremendously well-paid, while financial speculators, Stock Exchange workers and dishonest politicians gained little moral credit for their work.  Those are actually very poor.

Everyone wanted to live in AIPOTU because, deep down, people prefer to live in societies that are morally correct. The government controlled immigration with great care to avoid an invasion of illegal immigrants, especially those with poor spirits who would not contribute anything to society.

So, AIPOTU goes on inside every one of us. Certainly it is not the richest country in the world, because that would be morally unimportant. But everyone there lives the dream of being able to be what they really want to be and live accordingly.

Cartão de Crédito Moral

Existem muitos lugares estranhos pelo mundo afora, mas nenhum tão estranho quanto esse. No distante reino mágico de Aipotu todas as transações financeiras eram feitas com o cartão de crédito moral. Como todos os fortes hábitos sociais, ninguém sabe direito como isso começou. Mas o fato é que o cartão de crédito moral registrava o valor moral de cada indivíduo, o qual era então usado para fazer compras, incluindo tudo o que uma pessoa precisasse, pudesse ou quisesse comprar. Isso inclui passagens aéreas, cuecas e calcinhas, refeições, casas para morar, compras em supermercado, cobertores, pandeiros, pão, manteiga, e outros.

Cada cartão ostentava em letras e cores o status de seu portador. Importante: quanto mais alto o status, menos o portador do cartão se gabava. Claro, porque seria uma contradição moral ostentar seu status.

Em Aipotu havia políticos, militares, padres, industriais, engenheiros, banqueiros, lojistas, médicos, advogados, arquitetos, enfermeiras e todas as profissões presentes em todas as sociedades. Como sempre, ninguém entendia direito como funcionava a tecnologia, mas o importante é que o cartão refletia a fibra moral de seu portador.

Os créditos e débitos mudavam a cada gesto de amor, ódio, desprezo, compaixão, raiva, ciúme, trapaça, apoio, compreensão, ajuda, mentira, ou solidariedade demonstrados em relação ao próximo. As contas individuais de reserva moral se alteravam em um processo extremamente dinâmico. Aliás, que os espertinhos não se entusiasmem: o cartão era extremamente apto para detectar hipocrisias. Assim, as fraudes morais custavam muito caro e tornaram-se raras, apenas raramente praticadas por turistas.

É importante dizer que o crédito moral não tem nada a ver com moralismo, conservadorismo, caretice, religiosidade, tradicionalismo, mas simplesmente com puro respeito aos outros e ‘a natureza.

Mas como o cartão sabia? Ora, qualquer criança de 5 anos já sabe o que é moralmente certo e o que é moralmente errado. Certamente a sabedoria de uma civilização inteira não tinha nenhum problema em separar créditos e débitos.

Os cartões eram emitidos pelo Ministério do Compasso Moral. Ao contrário do que muita gente pode pensar, o Ministro não era a pessoa com mais créditos no reino. Aliás, eram todos muito discretos com relação ao seus respectivos créditos, os quais eram estritamente pessoais, confidenciais e intransferíveis.

O sistema de crédito moral tinha preços fixados não só pelo custo da matéria prima e mão de obra, mas pelo seu custo moral. Por exemplo, antes de serem proibidos, os casacos de pele custavam caríssimo e frequentemente transformavam o comprador imediatamente em um pobre de espírito. O mesmo acontecia com compradores que apenas queriam um produto pela sua marca, por pura vaidade ou para fazer inveja nos outros. Por outro lado, algumas compras geravam créditos e não débitos, por exemplo livros, poesia e música.

O trabalho gerava créditos, claro. Não há nada moralmente mais compensador que o trabalho. A única diferença – por sinal uma diferença muito importante — era a existência de proporcionalidade entre créditos auferidos no cartão e o benefício social de cada trabalho. Ou seja, quem beneficiava mais gente com o seu trabalho ganhava mais. Professores, motoristas, enfermeiras, assistentes sociais eram tremendamente bem remunerados, enquanto especuladores financeiros, trabalhadores da Bolsa de Valores e políticos desonestos ganhavam muito pouco crédito moral com seu trabalho. Esses eram um tanto pobres.

Todo mundo queria morar em Aipotu, porque no fundo as pessoas preferem viver em sociedades que sejam moralmente corretas. O governo controlava a imigração com muito cuidado para evitar uma invasão de imigrantes ilegais, principalmente os pobres de espírito que não contribuiriam em nada para a sociedade.

E assim Aipotu existe dentro de cada um de nós. Certamente não é o país mais rico do mundo, porque isso tampouco seria moralmente importante. Mas todos ali vivem o sonho de poder ser o que realmente são e viver de acordo.

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