Pompeia / Pompeii

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Pompeia / Click Here for English

O dia 24 de Agosto do ano de 79 D.C. começou normalmente para os 11.000 habitantes de Pompeia, na época uma colônia romana no sul da Itália. A Itália ainda não existia como país; pizzas e massas ainda não eram o prato nacional. As pessoas iam ao mercado, ao fórum, aos banhos públicos, carruagens passavam pelas ruas cheias de lojas e casas. Foi quando a erupção do vulcão Vesúvio aconteceu.

Antes do final do dia, toda a população havia morrido. A cidade foi coberta por doze camadas de pedras e cinzas vulcânicas com 25 metros de altura – o equivalente a um prédio de oito andares. Sempre se pensou que as pessoas morreram sufocadas pelos gases do vulcão, mas estudos mais recentes feitos em 2010 confirmaram que a maioria morreu queimada pelas ondas de calor chamadas de “fluxos piroclásticos”. Imagine ventos de 700 km/h com temperatura de 250 graus centígrados, espalhando pedras e cinzas em um raio de dez quilômetros. Não sobrou ninguém para contar a história. Então….quem contou essa história, como sabemos tudo isso? E aqueles corpos cobertos com lava que se encontram em Pompéia?

Depois da erupção, Pompeia foi esquecida. Coberta por oito andares de cinza e porosas pedras vulcânicas, compactadas com o tempo, sua localização e seu nome ficaram perdidos por mais de 1.500 anos. Em 1599, uma obra subterrânea para desviar o rio Sarno encontrou paredes pintadas com murais coloridos, muito antigos. O arquiteto Domenico Fontana foi chamado, mas não associou essa descoberta `a cidade de Pompeia. Algo inesperado aconteceu: em meio aos rigores da inquisição romana no séc. XVI, o arquiteto Domenico havia descoberto cenas de nudez com picante conteúdo sexual nos murais feitos pelos desinibidos habitantes de Pompeia do século I. Acabou mandando cobrir tudo, preservando assim o próprio pescoço e os murais, para as gerações futuras.

Em 1748 o engenheiro militar espanhol Rocque de Alcubierre iniciou escavações para encontrar Pompeia. Ele se baseou no relato de Plínio, o jovem, descrevendo o drama de seu tio Plínio, o velho, o qual morreu tentando salvar habitantes de Pompeia através do porto. O relato de Plínio sobreviveu por mais de 15 séculos.

Com as escavações, ano a ano, os arqueólogos perceberam que as casas, colunas, telhas, murais, paredes, templos, banhos, estavam perfeitamente preservados – como se Pompéia tivesse renascido das cinzas.

Giuseppe Fiorelli, responsável pelas escavações em 1863, percebeu uma coisa curiosa. Ele ficou intrigado, porque encontrava alguns espaços vazios debaixo das rochas porosas. Ele sabia que os espaços tinham sido ocupados por corpos humanos decompostos, por causa da forma e de ossos encontrados. E teve uma idéia: injetar gesso líquido dentro desses espaços antes de escavá-los. O gesso, quando sólido, revelou detalhes impressionantes dos corpos das vítimas – braços protegendo o rosto, textura das roupas, detalhes das sandálias, foi achado até um cachorro em uma posição como se estivesse se contorcendo de dor. As cinzas e o peso do tempo haviam formado uma espécie de molde, preenchendo cada minúsculo espaço em volta das vítimas, cujos corpos se deterioraram com os séculos.

Os arqueólogos do século XVIII tiveram o mesmo dilema moral que seus colegas duzentos anos antes. Tudo era muito embaraçoso: a arte erótica em alguns quartos de Pompéia, os murais na Vila dos Mistérios, as representações de sexo nas termas e no prostíbulo, as estátuas de Príapus – deus da sexualidade com um enorme pênis. Mandaram cobrir tudo. Com as escavações e restauro mais recente todos os murais foram revelados. Apenas em 1998 uma imagem de Príapus foi redescoberta depois de uma chuva forte. Até hoje, algumas salas só são permitidas para crianças se estiverem acompanhadas de seus responsáveis.

Se você é fã de um bom vídeo pornô, vai se decepcionar. Não vale a pena visitar Pompeia apenas pelo seu apelo sexual, existem outros destinos para isso (o Museu do Sexo em Nova York é bem mais explícito, por exemplo). Pompeia é talvez a mais completa cápsula de tempo que temos no planeta. Não é todo dia que podemos viajar 1.500 anos ao passado.

Dicas para visitar Pompeia

  • Gaste um pouco mais e contrate um guia. Ver aquele monte de casas antigas, paredes, ruas, colunas sem entender o que significam não vale a pena. É possível organizar um grupo – na entrada mesmo – e fazer uma vaquinha para dividir o custo.
  • A cidade moderna de Pompéia fica a alguns quilômetros de distância, mas não confunda. Qualquer cidade italiana tem seus atrativos, mas vá direto a Pompéia antiga, muito mais interessante. Há uma estação de trem para Pompéia antiga, saindo da Estação Central de Napoles. Ir de trem é a alternativa mais ambientalmente correta.
  • Existem hotéis ao redor das ruínas, mas pode-se tranquilamente visitar tudo em um dia. Por exemplo, você pode ficar hospedado em Nápoles e dirigir até Pompeia – 50 minutos – e retornar no fim da tarde.
  • Use sapatos confortáveis, roupas leves, principalmente se visitar no verão (Junho-Agosto), a área é enorme.

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Pompeii

The 24th of August of the year 79 A.D. started normally for 11,000 inhabitants of Pompeii, then a Roman colony in southern Italy. Italy did not exist as a country; pizzas and pasta were not yet the national dish. People went to the market, the forum, public baths, carriages passed through streets full of shops and houses. Then the eruption of Vesuvius began.

Before the end of the day, everybody had died. The city was covered by twelve layers of rocks and volcanic ash 25 meters high – the equivalent of an eight-story building. It was always thought that people suffocated by the volcano gases, but more recent studies conducted in 2010 confirmed that most were burned by heat waves called “pyroclastic flows”. Imagine winds of 700 km/h at a temperature of 250 degrees Celsius (approximately 480ºF), scattering rocks and ashes in a radius of ten kilometers. There was no one left to tell the story. So … who told this story, how do we know all this? What about those bodies covered with lava that are in Pompeii?

After the eruption, Pompeii was forgotten. Its location and name were forgotten for 1,500 years, covered by eight floors of gray and porous volcanic stones compacted by time. In 1599, while performing underground works to divert the river Sarno the workers found very old walls painted with colorful murals. The architect Domenico Fontana was called, but did not associate this discovery with the city of Pompeii. Something unexpected happened: amid the rigors of the Roman Inquisition in the XVI century, the architect Domenico had discovered nude scenes with spicy sexual content made by the uninhibited 1st century Pompeii inhabitants. He demanded that everything should be covered, thus preserving his own neck and murals for future generations.

In 1748 the Spanish military engineer Rocque de Alcubierre began excavations to find Pompeii. They were based on the account of Pliny the Younger, describing the drama of his uncle Pliny the Elder, who died trying to save the inhabitants of Pompeii by boat. The account of Pliny has survived for more than 15 centuries.

With the excavations, year by year, archaeologists realized that the houses, columns, tiles, murals, walls, temples, baths, were perfectly preserved – as if Pompeii had been reborn from the ashes.

Giuseppe Fiorelli, responsible for excavations in 1863, noticed a curious thing. He was very intrigued as they found some empty spaces beneath the porous rocks. He knew that the spaces had been previously occupied by decomposed human bodies, due to their shape and the presence of bones. He had an idea: injecting liquid plaster into these spaces before scooping them. The plaster, when solid, revealed stunning details of the bodies of the victims – arms shielding faces, the texture of clothes, details of sandals, a dog was found in a position as if writhing in pain. The ashes and the weight of time had formed a kind of mold, filling every tiny space around the victims, whose bodies have deteriorated throughout the centuries.

Archaeologists of the eighteenth century had the same moral dilemma that his colleagues two hundred years before. Everything was very embarrassing: erotic art in some rooms of Pompeii, the murals in the Villa of the Mysteries, the portrayals of sex in the bathhouse and brothel, statues of Priapus – the God of sexuality with a huge penis. They decided to cover everything. With the most recent excavations and restoration all the murals were finally revealed. As recently as 1998, a Priapus image was rediscovered after a heavy rain. Even today, some rooms are only permitted for children if accompanied by adults.

If you’re a fan of a good porn video, you will be disappointed. Not worth visiting Pompeii only due to sexual content, there are other more interesting destinations for this (the Museum of Sex in New York is much more explicit, for example). Pompeii is perhaps the most complete time capsule that we have on the planet. It is not every day that we can travel 1,500 years back into the past.

Tips to visit Pompeii

  • Spend a little more and hire a guide. Visiting old houses, walls, streets, columns without understanding what they mean is not worth it. You can organize a group – at the entrance – and split the cost.
  • The modern city of Pompeii is a few kilometers away, but do not mix them up. Any Italian town has its attractions, but go straight to ancient Pompeii, much more interesting. There is a train station at ancient Pompeii, leaving from the Central Station in Naples. If you have the option, the train is the most sustainable option.
  • There are hotels around the ruins, but you can visit all in one day. For example, you can stay in Naples and drive to Pompeii – about 50 minutes – and return in the late afternoon.
  • Wear comfortable shoes, light clothing, a cap or hat especially if you visit in the summer (June-August), the area is huge
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