A Primeira Vez / The Very First Time

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A Primeira Vez / Click Here for English

Perder a virgindade pode ser mais difícil do que voce pensa.  

Uma amiga nossa explicou de forma bem clara a educação sexual na América Latina. Quando ficamos adolescentes, minha mãe me disse: “eu casei virgem e você também vai casar virgem”. Nosso pai entregou uma camisinha na mão do meu irmão e lhe disse: “divirta-se”.

O homem é incentivado a ver sexo como lazer, a mulher é educada a ver sexo como uma coisa fundamentalmente proibida. Por mais ultrapassado que isso possa parecer, a sociedade ainda não encontrou um modelo atualizado para orientar o comportamento sexual de seus jovens.

A mulher é uma criatura de hormônios, assim como qualquer homem. Mas cabe `a mulher o injusto papel de exercer autocensura e, ainda por cima, carregar toda a culpa pelo pecado original. A perda da virgindade psicológica na mulher é muito mais difícil do que a perda de sua virgindade física. O hímen é o menor detalhe nessa história.

Não estamos defendendo que todas as adolescentes saiam por aí transando com todo o mundo. Isso vai depender do país, da cultura, da família, da idade e da cabeça de cada um, claro.

Em seu livro “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir explora uma espécie de existencialismo do corpo feminino ao definir como uma mulher convive com o próprio corpo em vários estágios de sua vida. Para uma adolescente despreparada, o sexo pode acontecer de uma forma totalmente diferente de suas fantasias românticas.

De Beauvoir observa que para uma jovem mulher, o amor pode se revelar pela primeira vez quase como uma “operação cirúrgica”. O desequilíbrio na forma como a sociedade trata o sexo no homem e na mulher se reflete na cama. De Beauvoir clama por mais “generosidade erótica” levando a uma sensualidade mútua e não a um egoísmo sexista.

Vários psicólogos ressaltam que o papel do pai no desenvolvimento sexual de uma mulher é extremamente importante, mas frequentemente ignorado. A vida sexual saudável de uma mulher irá depender muito mais de seu relacionamento com o próprio pai do que com a mãe. Precisamos explicar: a mãe pode ser mais importante para orientar, dar conselhos, talvez até trocar segredos. Mas se o pai tiver um comportamento machista, possessivo e inconscientemente lutar contra a liberdade sexual da filha isso poderá marcá-la para o resto da vida. Tudo isso contribui para que o orgasmo feminino seja tão difícil.

O homem é incentivado a ter sua primeira relação sexual bem jovem, talvez até com uma trabalhadora sexual (prostituta) e financiado pelo pai. A mulher, principalmente se decide fazê-lo antes do casamento, precisa lutar contra a censura da família e ainda por cima ter a certeza de que estaria transando pela primeira vez com o grande amor de sua vida. Como uma adolescente pode saber isso? É muita pressão e muita injustiça.

Do ponto de vista legal, existe uma idade mínima para se ter relações sexuais. A chamada “idade do consentimento” pode variar entre 12 a 19 anos, dependendo da cultura de cada país. Em muitos países árabes não há idade do consentimento. O sexo é legal se a mulher é casada (em qualquer idade, mesmo sendo crianças) e simplesmente ilegal se não é.

Do ponto de vista social, o blog Reachout chega a elaborar sobre os fatores normalmente considerados quando uma adolescente resolve fazer sexo: “pode ser divertido, estaria se sentindo apaixonada, todas as amigas já fazem, sente-se emocionalmente preparada, sente-se curiosa e quer experimentar, acha que vai ser gostoso, entende o sexo como um gesto de compromisso”, enfim, se o sexo é espontâneo a decisão é individual e não estamos aqui querendo julgar ninguém.

Sabemos que sexo não se resume a orgasmo. Mas se existe mais de uma diferença entre homens e mulheres, isso pode indicar que a primeira vez de cada mulher pode ser um caminho tortuoso, cheio de dúvidas, medos, anseios e culpas a serem trabalhadas. Muitos sociólogos, psicólogos e filósofos, inclusive De Beauvoir, argumentam que as raízes desse desafio não estariam na anatomia ou na biologia, mas na forma castradora como a própria sociedade tem tratado a sexualidade feminina ao longo dos séculos.

Por outro lado, existe também a ultra-reação: mulheres que imitam o comportamento machista agressivo, achando que com isso estariam se liberando dessas castrações históricas. O comportamento feminino “machista” nos bailes funk no Rio de Janeiro é apenas um exemplo.

A conclusão, pelo menos em teoria , não é difícil de entender. O critério mais importante acaba sendo o amor entre dois seres – seja na primeira vez ou durante toda a sua vida.

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The Very First Time

Losing your virginity might be harder than you think.

A friend of ours explained very concisely how sexual education works in Latin America. When we were teenagers, my mother told me: “I married virgin and you will also marry virgin.” Our father handed a condom to my brother and said, “Have fun.”

Men are encouraged to see sex as fun. Women are educated to see sex as a forbidden act. Of course, this is very outdated, but society does not seem to have found yet un updated model to guide the sexual behavior of young people.

Women are creatures of hormones, as well as any man. But it falls to the woman the unfair role of exercising self-censorship and carry the blame for the original sin. The loss of psychological virginity in women is much more difficult than the loss of their physical virginity. The hymen is the smallest detail in this story.

We are not advocating that all teenagers should go out there shagging. This will depend on the country, culture, family, age and circumstances.

In her book “The Second Sex“, Simone de Beauvoir explores a kind of female body existentialism to define how a woman lives with her body in various stages of her life. For an unprepared teenager, sex can happen in a totally different way than imagined in her fantasies.

De Beauvoir notes that for a young woman, love can be revealed for the very first time almost as a “surgical operation”. The imbalance in the way society treats sex in men and women is reflected in bed. De Beauvoir calls for more “generous erotica” leading to mutual sensuality and not sexist selfishness.

Several psychologists emphasize that the father’s role in the sexual development of a woman is extremely important, but often ignored. The healthy sexual life of a woman will depend much more on her relationship with her own father than with her mother. We need to explain: the mother may be more important to guide, give advice, perhaps even trade secrets. But if the father has a macho behavior, possessive and projects an unconsciously fight against the sexual freedom of his daughter, that can traumatize a young woman the rest of her life. All this contributes for the female orgasm to be so difficult.

The man is encouraged to have their first intercourse at a very young age, perhaps even with a sex worker (prostitute) funded by the father. Women, especially if they decide to have sex before marriage, must fight against a rigorous education bias. Moreover, a woman is kind of expected to know if they are having sex for the first time with the love of her life. How can a teenager know that ? It is a lot of pressure and a lot of injustice.

From a legal point of view, the minimum age to have sex, the so-called “age of consent“, may vary between 12 to 19 years, depending on the culture and law of each country. In many Arab countries there is no age of consent. Sex is legal if the woman is married (at any age, even children) and simply illegal if she is not.

From the social point of view, the Reachout blog gets to elaborate on the factors usually considered when a teenager decides to have sex, “it can be fun, she would be feeling in love, all her friends already do it, she feels emotionally prepared, she is curious and wants to try, she thinks it would feel good, she understands sex as a compromise”, in short, if sex is spontaneous, it should be a mature individual decision. We are not here to pass judgement on anyone.

We know that sex is not just about orgasms. But the very first time for a woman can be a tortuous path, full of doubts, fears, anxieties and guilt to be worked out. Many sociologists, psychologists and philosophers, including De Beauvoir, argue that the roots of these challenges are not be in the female anatomy or biology, but in the “castrating” way society itself has treated female sexuality throughout the ages.

On the other hand, there is also the ultra-reaction: women who imitate the aggressive macho behavior, thinking that this would represent freedom from these historical castrations. The female “sexist” behavior in funk clubs in the periphery of Rio de Janeiro is just one example.

The conclusion, at least in theory, is not difficult to grasp. The ultimate criterion is love between two beings – be it in the first time or during your entire life.

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