The Worst Show of the American TV and Cultural Megatrends in the US

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Many years ago, when we received in New York the visit of a couple of uncles from Brazil, they used to argue for a bizarre reason. The aunt would rather see the shows and changed channels when they began the endless advertisements. The uncle did the opposite: he said that the best way to experience a culture would be to look at the advertisements. He changed the channel when the shows started, because he loved to see the commercials.

In the United States there is a comical adage saying that humanity faces every day the cruel choice between working or watching daytime shows on TV.

The worst show of the American TV is called Jerry Springer.

He is a charming host, intelligent, articulate and interviews people who end up physically fighting on the show.  There are two huge bodyguards on stage, the sound of a gong when people start fighting and the chorus of the enraptured audience shouting: “Jerry! Jerry! Jerry!” whenever a fight starts.

fightA Fight in Jerry Springer show. 

It is some kind of opposite of a “sentimental office” parading betrayals, hatred, disappointments, people cheating each other, love triangles and quadrangles, gays, lesbians, strippers, sex, adult situations and many strange situations of pseudo-love.

A woman reveals to the boyfriend in love that “she” is actually a man. A married man with three children says to his wife he prefers sex with a call girl because his wife had become very fat. Two lesbian kiss and caress each other on stage until a third one show up and says she is having an affair with one of them. The groom says to the bride he had had sex with her best friend when drunk. Anyway, there are always fights and this is definitely part of the script.  We are convinced the producers of the show  must have an excellent team of lawyers.

And why is the show so popular? Because many people like to see others suffering and going through embarrassing situations. In German there is a word “schadenfreude”, which means deriving pleasure from the misfortune of others.

The opposite of schadenfreude would be perhaps the Buddhist concept of mudita, feeling pleasure for the well-being of others.

Now comes the interesting part: the commercials during the Jerry Spinger Show are extremely revealing.

For example, there are law firms offering to defend cases petitioning for hefty compensations to people who had ovarian cancer due to the use of talcum powder.  The same to people with serious kidney problems for using remedies for heartburn like Nexium or Prilosec. This means that experienced legal firms research the American Journal of Medicine mining proven cases of clinical problems associated with specific drugs and specialize in suing the laboratories that manufactured them. There are hundreds of millions of dollars at stake.

On the one hand, the US is a good example of a democratic society with freedom of expression. On the other, that freedom of expression appears to lead to heights of vulgarity occasionally revealing the worst in their culture.

Unfortunately, it seems that humanity is not yet ready for a television show that only highlights our pleasure at the well-being of others.

jerry s 2Jerry Springer on his TV Show. 

laughing-buddha

Laughing Buddha.

O Pior Show da TV Americana e as Megatendências da Cultura nos EUA

Quando recebemos em Nova York a visita de um casal de tios do Brasil, há muitos anos atrás, eles discutiam por um motivo bizarro.  A tia preferia ver os shows e mudava de canal quando começavam as infindáveis propagandas.  O tio fazia o contrário: ele dizia que a melhor forma de conhecer uma cultura seria olhando as propagandas.  Ele mudava de canal quando começavam os shows, porque adorava ver os comerciais.

Nos Estados Unidos há um ditado cômico dizendo que a humanidade enfrenta a cada dia a escolha cruel entre trabalhar ou assistir aos programas diurnos na TV.

O pior show da TV americana se chama Jerry Springer.

Ele é um apresentador charmoso, inteligente, articulado e entrevista pessoas que acabam fisicamente brigando no programa.  Há dois seguranças enormes no palco, o som de um gongo quando as pessoas começam a brigar e o coro da platéia extasiada gritando: “Jerry!Jerry!Jerry!” quando acontece alguma briga.

jerry_hi_5Uma Briga no Programa do Jerry Springer. 

É uma espécie de consultório sentimental ao contrário, onde desfilam traições, ódios, desapontamentos, triângulos e quadriláteros amorosos, gays, lésbicas, strippers (dançarinas e dançarinos exóticos), sexo, situações infanto-adultas e muitos amores não correspondidos.

Uma mulher revela ao namorado apaixonado que “ela” na verdade é um homem.  Um homem casado com três filhos diz para a esposa que prefere transar com uma garota de programa porque a esposa tinha ficado muito gorda. Duas lésbicas se beijam e se acariciam no palco até uma terceira aparecer e dizer que tem um caso com uma delas. O noivo diz para a noiva que tinha ficado bêbado e transou com a melhor amiga dela.  Enfim, sempre sai briga e isso faz parte do script do programa, o qual deve ter uma excelente equipe de advogados.

E por que o show é tão popular?  Por que muitas pessoas gostam de ver os outros sofrendo e passando por situações constrangedoras.  Na língua alemã existe a palavra schadenfreude, que significa sentir prazer perante o dano ou infortúnio de terceiros.

O contrário de schadenfreude seria talvez o conceito budista de mudita, sentir prazer pelo bem-estar dos outros.

Agora vem a parte mais interessante: os comerciais que passam no intervalo do Jerry Springer Show são extremamente reveladores.

Por exemplo: firmas de advogados se oferecem para defender seu caso e receber uma polpuda indenização se você teve câncer nos ovários por usar talco ou se você teve problemas renais por ter usado remédios contra azia como Nexium ou Prilosec.  Ou seja, as grandes bancas de advogados pesquisam o American Journal of Medicine, garimpam casos comprovados de problemas clínicos associados a remédios específicos e se especializam em processar os laboratórios que os fabricaram.  São centenas de milhões de dólares em jogo.

Ou seja, por um lado os EUA são um bom exemplo de sociedade democrática e de liberdade de expressão.  Por outro, essa liberdade de expressão parece levar a píncaros de vulgaridade revelando o pior de sua cultura.

Infelizmente, parece que a humanidade ainda não está pronta para um programa de televisão que apenas ressalte nosso prazer pelo bem-estar alheio.

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