Qual a Ligação Entre Mexicanos, Proust, Mistérios do Desenvolvimento e Salada César? / What is the Connection Between Mexicans, Proust, Mysteries of Development and Caesar’s Salad?

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Fila de carros e pessoas atravessando do Mexico para os EUA. / Line of cars and people crossing the border from Mexico to the US.   By Ligia Coelho. 

Qual a Ligação Entre Mexicanos, Proust, Mistérios do Desenvolvimento e Salada César? / Click Here for English

Nós fomos conhecer a mais movimentada fronteira terrestre no mundo que fica entre San Ysidro (perto de San Diego) nos EUA e Tijuana no Mexico. Cerca de 300,000 pessoas atravessam essa fronteira por dia. Como Donald Trump aparentemente quer construir um muro entre os EUA e o Mexico, resolvemos ir no local conferir tudinho para compartilhar com você. A propósito achamos que deveria haver mais pontes e menos muros entre as pessoas. Existem 48 pontos de entrada legal entre os dois paises, mas esse é certamente o mais movimentado e o mais pitoresco.

Alguns amigos que preferem permanecer anonimos (Juliana e Erwan) nos disseram que uma vez levaram 5 horas para atravessar a fronteira de carro. Eles moram perto de Los Angeles e foram a Tijuana para um casamento. Ou seja, resolvemos deixar nosso carro alugado em um estacionamento no lado americano (entre o Jack in the Box e o McDonald’s) e cruzamos a pé. O estacionamento que custa 7 dolares por dia já estava lotado, então estacionamos em um outro que cobrou US$ 15. Não é preciso comprar um ticket para entrar no Mexico ou nos EUA, mas um passaporte valido é absolutamente fundamental.

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Jonas abaixo da placa que informa os motoristas sobre a entrada no Mexico.  / Jonas under the sign showing the way to Mexico. 

Depois da desvalorizacao do peso, muitos americanos perceberam que é economicamente muito interessante morar em Tijuana e trabalhar nos EUA e atravessam a fronteira todo dia. Vimos também muitos mexicanos que moram nos EUA mas fazem compras no Mexico e também atravessam todo dia a pé, com malas. Há até um site com uma camera mostrando as horas de maior movimento incluindo apps para facilitar a passagem. A fronteira fica aberta 24 horas, todos os dias.

A primeira e mais chocante impressão ao se cruzar a fronteira é o contraste social. Impossível não pensar nos fatores que causam ou impedem o desenvolvimento. Impossível não ficar questionando o que faz com que, em apenas alguns metros de caminhada, passamos a encontrar ruas mais estreitas, casas mal conservadas, construções não terminadas, carros mais antigos, mães vendendo bugingangas ou pedindo esmola com os filhos pequenos brincando ao lado. Por outro lado, os mexicanos, como sempre educados e simpáticos, gente muito boa.

Tivemos quatro experiências bem distintas no Mexico no espaco de algumas horas.
Avenida Revolución, a area mais turistica – lojas vendendo sombreros e ponchos, lojistas insistentemente convidando os turistas para entrar nas lojas, varias esquinas com burricos pintados como zebras (uma tradição local) posando para fotografias.

Mercado Hidalgo – a area que gostamos mais, por ser mais autentica, onde os mexicanos compram suas frutas, verduras e piñatas. Vimos uma fabrica quase artesanal de tortillas (de farinha, de milho e de cacto nopal), frutas cristalizadas que nem conheciamos, vários tipos de pimentas chilli, ficamos impressionados com a beleza e a variedade de frutas, verduras e doces. Acabamos comprando um pote de mel natural.

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Mercado Hidalgo.  / Hidalgo Market. 
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Loja de pimentas no Mercado Hidalgo / Spices’ shop at Hidalgo Market.  

Centro Rio – apesar do nome, é apenas um imenso shopping center com supermercado, cinemas, lojas modernas, ar condicionado, enfim, poderiamos estar em qualquer outro lugar do mundo. Gostamos de visitar os supermercados em outros paises. Apenas compramos varios sabonetes GRISI feito com leite de burra, nosso favorito.

Hotel Caesars – um hotel classico, hoje um tanto decadente, famoso por seu restaurante também chamado Caesar’s, onde o antigo chef César Cardini, um Italiano com alma Mexicana, inventou a famosa salada César na decada de 20. A salada foi preparada na nossa mesa, veja a receita abaixo.

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Ligia na frente do Hotel e Restaurante Caesars. / Ligia in front of the Hotel and Restaurant Caesar’s. 

E em breve, mecanicamente, cansados após um dia agitado em Tijuana, levamos aos nossos lábios um pedaço da crocante folha embebida no molho mágico. Mal a alface fresca coberta no líquido suave e salgado tocou o nosso paladar, um arrepio percorreu todo o nosso corpo, e nós paramos, atentos `as extraordinárias mudanças que estavam ocorrendo. Um prazer delicioso invadiu nossos sentidos, em coletivo, separadamente, com nenhuma sugestão de sua origem. E as vicissitudes da vida tornaram-se indiferentes a nós, seus desastres inócuos, sua brevidade ilusória – esta nova sensação de ter tido em nós o efeito que o amor tem nos preenchendo com uma essência preciosa; ou melhor, essa essência não estava em nós, tratava-se de nós mesmos. Nós tínhamos cessado de nos sentirmos medíocres, acidentais, mortais. De onde poderia ter vindo a nós, esta toda-poderosa alegria? Estávamos conscientes de que as sensações foram conectadas com o gosto do alface e do molho César, mas que infinitamente transcendeu esses sabores, não poderiam, de fato, ser da mesma natureza que a deles. De onde vieram? O que isso significa? Como poderíamos apoderar-se dessas sensações e defini-las?

(Jonas e Ligia descrevendo a salada César no Mexico, copiando o famoso estilo de Marcel Proust comendo madeleines com chá, em uma descrição que já entrou para a historia da literatura).

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Jonas ajudando o Davi (nosso garçom) a preparar o molho original da salada César. / Jonas helping Davi (our waiter) to prepare the original sauce for the Caesar’s salad.  
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Ligia & Davi segurando a salada César pronta pra comer. / Ligia and Davi holding the Caesar’s salad ready to eat. 

 

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What is the Connection Between Mexicans, Proust, the Mysteries of Development and Caesar’s Salad?

We went to visit the busiest land border in the world between San Ysidro (near San Diego) in the US and Tijuana in Mexico. About 300,000 people cross this border every day. As Donald Trump apparently wants to build a wall between the US and Mexico, we decided to go on site to check the crossing experience and to share it with you. By the way, we think there should be more bridges and less walls between people. There are 48 legal entry points between the two countries, but this is certainly the busiest and most picturesque.

Some friends who prefer to remain anonymous (Juliana and Erwan) told us that once it took them 5 hours to cross the border by car. They live near Los Angeles and went to Tijuana for a wedding. Therefore, we decided to leave our rental car in a parking lot on the American side (between the Jack in the Box and McDonald’s) and cross on foot. The parking which costs US $ 7 a day was already full, so we parked at another one who charged US $ 15. You do not need to buy a ticket to enter Mexico or the US, but a valid passport is absolutely fundamental.

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This is the sign showing the walking route to Mexico. / Essa é a placa mostrando o caminho para o Mexico. 

After the devaluation of the peso, many Americans realized that it is economically interesting to live in Tijuana and work in the US and cross the border every day. There is even a site with a camera showing the peak times including apps to facilitate the crossing. The border is open 24 hours every day.

The first and most striking impression when crossing the border is the social contrast. It is impossible not to think of the factors that cause or prevent development. It is impossible not be questioning what causes these differences: in just a few meters, all of a sudden we find narrower streets, poorly maintained houses, older cars, mothers selling candy and trifles or begging for coins with their young children playing by their side. On the other hand, Mexicans, as always, are polite and friendly, very nice people.

We had four distinct experiences in Mexico in the space of a few hours.

Avenida Revolución, the more touristic area – shops selling sombreros and ponchos, shopkeepers insistently inviting tourists to enter the shops, several street corners with donkeys painted like zebras (a local tradition), so that tourists can take pictures and leave a tip.

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Jonas at Ave. Revolución, Tijuana. / Jonas na Ave. Revolución em Tijuana.  

Hidalgo Market – our favorite because it is more authentic. This is where Mexicans buy their vegetables, fruits and piñatas. We saw a small industry manufacturing tortillas (of flour, corn or nopal cactus), candied fruits we did not know, an immense variety of chilli peppers. We were impressed with the beauty and variety of fruits, vegetables and sweets. We bought a jar of natural honey.

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Jonas in Hidalgo Market. / Jonas no Mercado Hidalgo. 

Rio Centro – despite the name, this is just a huge shopping center with supermarket, cinemas, trendy shops, air conditioning, in short, we could be anywhere else in the world. We do like to visit supermarkets in other countries. We only bought several GRISI soap bars, which are made with donkey’s milk, our favorite.

Hotel Caesars – A classic hotel, now somewhat decadent, famous for its restaurant also named Caesar’s, where the former chef César Cardini, an Italian with a Mexican soul, invented the famous Caesars salad in the decade of 20. The salad was prepared at our table by an experienced waiter. See the recipe above.

And soon, mechanically, weary after a busy day in Tijuana, we raised to our lips a morsel of the crisp leaf soaked in the magical sauce. No sooner had the fresh lettuce covered in the savory mellow liquid, touched our palate, a shudder ran through our whole bodies, and we stopped, intent upon the extraordinary changes that were taking place. An exquisite pleasure had invaded our senses, but collective, detached, with no suggestion of its origin. And at once the vicissitudes of life had become indifferent to us, its disasters innocuous, its brevity illusory–this new sensation having had on us the effect which love has of filling us with a precious essence; or rather this essence was not in us, it was ourselves. We had ceased (caesared now) to feel mediocre, accidental, mortal. Whence could it have come to us, this all-powerful joy? We were conscious that it was connected with the taste of lettuce and sauce, but that it infinitely transcended those savours, could not, indeed, be of the same nature as theirs. Whence did it come? What did it signify? How could we seize upon and define it?

(Jonas and Ligia describing the Caesars Salad like Marcel Proust did when he was eating madeleines with tea)

 

 

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