A Ciência Pode Ajudar o Amor? / Can Science Help Love?

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A Ciência Pode Ajudar o Amor? / Click Here for English

De acordo com o Dr. John Gottman a resposta é SIM.  Existe uma longa pesquisa,  aparentemente muito séria, conectando “amor” com “big data”. Big data é o gerenciamento de um grande número de dados usando computadores e tecnologias de informação e comunicação para tentar encontrar padrões e conclusões práticas.  Pela nossa formação e profissão, gostamos muito de temas científicos, especialmente quando conectados ao comportamento humano.   

Poesias de amor são lindas (as vezes tristes) mas a idéia de que o amor foi pesquisado, olhado com cuidado, analisado e que o resultado disso seria aplicável nas nossas vidas parece um tanto assustador por um lado e reconfortante por outro.  

John Gottman, nascido em 1942, é psicólogo e autor do livro “7 Princípios para o Casamento Dar Certo”.  Ele observou mais de 3.000 casais durante 20 anos de pesquisa.  O objetivo era observar padrões de comportamento (mesmo que sutis), os quais pudessem “prever” se o casal seria feliz ou se estaria divorciado alguns anos depois.  

Dr. Gottman estava buscando dados que pudessem ser usados para “calcular” os resultados esperados. Nos anos 70 ele começou a pesquisar o comportamento humano e de onde as emoções brotavam.  Tentava entender o que é um relacionamento saudável, e como uma pessoa se sente estando em um relacionamento feliz.  

Entre os vários estudos e métodos usados, o avanço veio quando Gottman conheceu o psicólogo e cientista Robert Levenson – atualmente professor da Berkeley University na California.  A parceria permitiu que Gottman criasse um laboratório-apartamento onde os casais poderiam conviver fazendo coisas do dia-a-dia (cozinhando, vendo TV, lendo jornal) mas ligados a eletrodos e sendo assistidos por câmeras.  Gottman conectou computadores para analisar os dados dessas interações.  Por exemplo, os computadores mediam as batidas cardíacas e o tônus vascular durante um momento de carinho ou durante uma briga. 

Anos depois os cientistas foram buscar saber se os casais ainda estavam juntos ou não.  Incluíram esses dados em um programa de computador juntamente com os dados  coletados anteriormente.  Um dos resultados mais reveladores diz que a capacidade do casal se acalmar, quando um reduz o nível de tensão e ansiedade do outro, é um dos mais importantes elementos na previsão de um casamento duradouro. 

De acordo com o artigo, em 1992 Dr. Gottman pode estabelecer com 90% de precisão se um casal ficaria junto ou não apenas observando a maneira como os casais falavam de suas relações. Ele descobriu que 80% das interações dos casais em momentos de conflito tinha certa estabilidade, e que 69% dos problemas dos casais nunca se resolvem porque estão fundamentados em diferenças de personalidade.  Após 14 anos de estudo eles foram ainda mais longe e além de conseguirem prever se um casal se separaria ou não, eles conseguiram estabelecer critérios para saber quando o casal se separaria: 5 anos ou 15 anos após o casamento? 

 Uma das dicas de John é que a gente deve responder positivamente a um “convite” do nosso parceiro.  Gottman chama de “convite” as pequenas atitudes do dia-a-dia.  Por exemplo, um de nós pode dizer “Olha, que linda aquela flor no jardim” – isso é um convite – e o outro pode reagir positivamente: “Uau! Linda mesmo!” e abrir a porta para que os dois possam ir até o jardim olhar a flor de pertinho e sentir o seu perfume. O parceiro também pode reagir negativamente apenas murmurando “hmm” e continuar lendo o jornal, ou mesmo reclamar “estou de saco cheio das suas flores! Eu quero saber quando é que você vai arrumar aquela porta que está quebrada”.            

Gottman descobriu que os parceiros amorosos com longos relacionamentos respondem “positivamente” aos convites 87% do tempo, estabelecendo que o amor estaria ligado a um hábito mental.

O trabalho do Dr. Gottman ficou ainda mais interessante quando Julie apareceu na vida dele.  Julie e John estão casados há mais de 20 anos. Ela também é psicóloga e seu trabalho tem foco em terapia individual ou em grupo.  Ela ficava fascinada pela pesquisa do marido e um dia perguntou: “Por que não usamos o seu conhecimento para ajudarmos outros casais?”  Os dois investiram 1 ano na criação do método Gottman que seria um guia para um bom relacionamento.  O método é baseado em 9 princípios – antes eram 7 –  e os dois ganham muito dinheiro “ajudando” outros casais.  Importante dizer que eles cobram US $ 750 por casal para um workshop de 2 dias chegando a receber 250 casais por workshop.  Com todo respeito aos 40 anos de pesquisa do casal, isso nos faz pensar que o amor também pode contribuir para a geração de (merecida) riqueza. Os Gottman podem estar ganhando em média US $ 180 mil por um workshop de dois dias, nada mal.  

Há críticas sérias ao trabalho do Gottman Institute.  Em um artigo chamado “Os perigos de prever divórcios sem uma validação cruzada”, Richard E. Heyman analisou 15 previsões e percebeu que um grupo de dados aparentemente funcionando com casos já analisados e comprovados, pode não funcionar se aplicado a casos totalmente novos. Importante mencionar que o artigo foi escrito em 2001 e desde então não foi revisado. No mesmo período o casal Gottman já trabalhou com milhares de casais e 80% deram um feedback positivo. 

A jornalista Laurie Abraham leva a critica do Dr. Heyman um passo adiante: “Gottman nos apresenta uma fórmula para resultados já conhecidos.  O próximo passo – absolutamente necessário ao método científico – seria aplicar essa fórmula a grupos inteiramente novos e depois checar sua validação ao longo do tempo.” Note que Laurie é jornalista e não tem o mesmo background cientifico do Dr. Gottman mas é concorrente direta dele porque escreve sobre relacionamentos/casamentos e também oferece workshops sobre o tópico.  No competitivo campo dos negócios e das ciências, aparentemente até o estudo do amor tem concorrência.         

Enquanto Shopenhauer ficou conhecido como o “filósofo do amor”, quando o amor não era tema filosófico, é possível que John Gottman fique conhecido como “cientista do amor”, por associar métodos científicos ao estudo dos relacionamentos.  O que você acha?  Será que dá certo?  

Vamos compartilhar aqui com você a base dos 7 princípios para um relacionamento duradouro e feliz, de acordo com os Gottman. 

1)    A fundação do relacionamento deve ser uma grande amizade – você é capaz de falar facilmente e com riqueza de detalhes sobre o seu parceiro? Você conhece os sonhos, as histórias, e as preocupações do seu parceiro? 

2)    Admiração – deve haver respeito mútuo e afeto no relacionamento. (A dica deles para melhorar a admiração é elogiarmos mais, demonstrarmos apreciação)

3)   Se ligue no outro – fale das suas necessidades, preste atenção nos sinais (convites) do outro e responda positivamente.  Eles dizem que essas pequenas percepções e ações do dia-a-dia são os verdadeiros tijolos de um relacionamento.

4)    Gerencie conflitos  –  ao invés de resolver conflitos, gerencie-os porque todo relacionamento tem seus conflitos naturais e funcionais. Tente oferecer uma perspectiva positiva para a situação ou problema.  Discutir quem está certo ou errado não resolve – apenas piora. 

5)    Faça Sonhos se Tornarem Realidade – crie um ambiente propício para que o outro fique a vontade para falar abertamente dos seus sonhos, valores, aspirações, etc.

6)    Confiança – é quando sabemos que o nosso parceiro pensa e age para maximizar os nossos interesses e benefícios, quando sabemos que ele estará lá para o que der e vier. 

7)    Compromisso – é o momento em que acreditamos e agimos sabendo que o relacionamento com o nosso parceiro é sem duvida a nossa jornada para o resto da vida. Isso significa que você vai nutrir o melhor lado do seu parceiro e ter gratidão por ele inclusive nos momentos mais difíceis. 

Escrito assim até parece fácil….. 

Para saber mais sobre os Gottman, clique aqui.

 

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Can Science Help Love?

According to Dr. John Gottman the answer is YES. There is a serious body of research connecting “love” with “big data.” Big data is the management of a large number of data using computers and information and communication technologies to try to find patterns. Due to our profession, we like scientific topics, especially when connected to human behavior.

Poems of love are beautiful  (sometimes sad) but the idea that love was researched, looked carefully at, analyzed, and that the result would apply to our lives seems daunting on the one hand and comforting, on the other.

John Gottman, born in 1942, is a psychologist and author of  “7 Principles for Making Marriage Work “. He analyzed more than 3,000 couples over 20 years of research. The goal was to observe behavior patterns (even if subtle), which could “predict” whether the couple would be happy or would divorce a few years later.

Dr. Gottman was seeking data that could be used to “calculate” the expected results. In the 70s, he began researching human behavior and where emotions came from. He was trying to understand what is a healthy relationship, and how people feel while being in a healthy relationship.

Among the various studies and methods used, the breakthrough came when Gottman met the psychologist and scientist Robert Levenson – currently a professor at Berkeley University in California. The partnership allowed Gottman to create a laboratory-apartment where couples could live doing everyday activities (cooking, watching TV, reading the newspaper) but connected to electrodes and being watched by cameras. Gottman connected computers to analyze the data from these interactions. For example, computers measured heart rate and vascular tone during a moment of affection or during a fight.

Years later, they followed up with those couples to see if they were still together. They included these data in the computer program along with previously collected data. One of the most revealing results is the couple’s ability to calm down when one reduces the level of stress and anxiety on the other.  This seems to be one of the most reliable indicators of a lasting marriage.

According to the article, in 1992 Dr. Gottman established with 90% accuracy whether a couple would stay together or not just by looking at the way couples talked about their relationship. He found out that 80% of the interaction of couples in conflict moments had some stability, and that 69% of the their problems would never be resolved due to personality differences. After 14 years of study they have gone even further and allegedly can predict whether a couple would separate or not and how many years it would take for them to separate: 5 years or 15 years after the wedding?

One of John’s tips is that we should respond positively to a “bid” from our partner. Gottman calls the “bid” a small gesture usually present in day-to-day life. For example, one of us can say, “Look, how beautiful that flower in our garden” – this is a bid – and the other may react positively, “Wow! Really beautiful! And then they open the door so that the two can go into the garden to look at the flower and admire its perfume. The partner might also react negatively only muttering “hmm” and continue reading the newspaper, or even complaining, “I don’t care about your flowers! I want to know when are you going to fix that damn door that is broken. “

Gottman found that loving partners enhoying longevity in their relationship usually respond “positively” to 87% of these “bids” or “invitations” as we call, establishing that love would be linked to a mental habit.

The work of Dr. Gottman became even more interesting when Julie appeared in his life. Julie and John have been married for over 20 years. She is also a psychologist and her work has focused on individual or group therapy. She was fascinated by her husband’s research and one day asked him, “Why not use your knowledge to helping other couples?” The two spent one year creating the Gottman method that would be a guide for a good relationship. The method is based on 9 principles – previously 7 – and they earn a lot of money “helping” other couples.  They charge $ 750 per couple for a 2-day workshop. They have up to 250 couples attending one workshop. With relation to 40 years of research, it makes us think that love can also contribute to the generation of (deserved) wealth. The Gottmans could be earning on average $ 180,000 for a two-day workshop, not bad.

There is serious criticism about the work of the Gottman Institute. In a paper called “the dangers of predicting divorce without cross-validation”, Richard E. Heyman analyzed 15 forecasts and realized that a data group apparently working with cases already analyzed and tested, may not work if applied to all new cases. It is important to mention that this paper was written in 2001 and since then it has not been reviewed, not has Gottman responded.  In the same period the Gottmans worked with thousands of couples getting an 80% positive feedback.

 The journalist Laurie Abraham takes Dr. Heyman’s criticism a step further: “Gottman presents a formula to obtain results. The next step – which is absolutely necessary to the scientific method – would be to apply this formula to entirely new groups of couples and then check the validation over time.”  Note that Laurie is a journalist and does not have the same scientific background of Dr. Gottman or Dr. Heyman but is a direct competitor because she also writes about relationships / marriages and also offers workshops on the topic.  In the competitive fields of business and sciences it seems that even the study of love is a subject for competition.

While Schopenhauer became known as the “philosopher of love,” at a time when love was not usually a philosophical theme, it is possible that John Gottman become known as the scientist of love, due to his work associating scientific methods to the study of relationships. What do you think? Would it work?

We will share with you here the foundations of the 7 principles for a lasting and happy relationship according to Gottman.

1) The foundation of the relationship should be a great friendship – you can speak easily and in great detail about your partner? You know dreams, stories, and your partner’s concerns?

2) Admiration – there must be mutual respect and affection in the relationship. (A tip to improve admiration is to praise more, demonstrate appreciation)

3) Turn Towards – talk on your needs, pay attention to the signs (bids/invitations) from each other and respond positively. They say that those little perceptions and day-to-day actions are the true building blocks of a relationship.

4) Manage conflict – instead of resolving conflicts, manage them because every relationship has its natural and functional conflicts. Try to offer a positive outlook for the situation or problem. Discuss who is right or wrong doesn’t help – only worse.

5) Make dreams come true – to create an enabling environment for the other to speak openly about his/her dreams, values, aspirations, etc.

6) Confidence – is when we know that our partner thinks and acts to maximize our interests and benefits, when we know that he/she will be there to cover our back.

7) Commitment – is the time in which we believe and act knowing that the relationship with our partner is undoubtedly our lifelong journey. This means that you will nurture the best side of your partner and have gratitude for him even in the most difficult times.

Written like this, it sounds easy enough, doesn’t it? 

To learn more about the Gottmans, click here.

 

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